Artigos e saúde mental
Insônia, hábitos de sono e sinais de apneia
Hábitos ajudam, mas podem não ser suficientes para tratar insônia persistente. Ronco e pausas respiratórias merecem investigação.
Quem dorme mal costuma chegar ao consultório querendo uma coisa: o remédio que faça dormir. É compreensível — noites perdidas desorganizam o humor, a atenção, o corpo inteiro. Mas a primeira pergunta sobre o seu sono raramente é sobre o remédio. É sobre o que está acontecendo com ele.
Hábitos de sono e seus limites
Higiene do sono é um conjunto de hábitos que pode ajudar a dormir melhor. Na insônia crônica, essas orientações isoladas costumam ser insuficientes; o tratamento pode exigir terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I). Alguns cuidados úteis são:
- Horário de deitar e, principalmente, de levantar mais regular — inclusive nos fins de semana.
- Reduzir telas, cafeína e álcool nas horas que antecedem o sono. O álcool, em particular, dá sono mas fragmenta a noite.
- Usar a cama para dormir — não para trabalhar, rolar o celular ou ficar acordado tentando dormir à força.
- Luz natural durante o dia, que ajuda a ancorar o relógio biológico.
Para a insônia persistente, a abordagem com melhor evidência não é nem o remédio: é a terapia cognitivo-comportamental para insônia, que reorganiza esses padrões de forma estruturada. Medicação tem lugar, mas costuma ser apoio, não a base — e quase nunca a primeira escolha para uso prolongado.
Apneia pode coexistir com insônia
Aqui está um ponto que costuma passar despercebido. A apneia pode causar sono não reparador e também ocorrer junto com a insônia. A apneia obstrutiva do sono — em que a respiração para repetidamente durante a noite — produz um sono que parece suficiente em horas, mas que não descansa. A pessoa acorda cansada, sonolenta de dia, com dificuldade de concentração e humor alterado. Muitas vezes esse quadro é tratado como depressão ou insônia por anos, sem sucesso, porque a causa real nunca foi investigada.
Sinais que me fazem suspeitar: ronco alto, pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado, sonolência diurna importante, sono que não restaura por mais que se durma. Nesses casos, o caminho não é usar um indutor do sono de forma isolada — é investigar o sono propriamente, às vezes com um estudo do sono, e tratar a apneia. Alguns sedativos podem aumentar riscos respiratórios em pessoas com apneia. A escolha de medicação depende da avaliação do sono e de outras condições clínicas.
Por isso a conversa sobre sono começa entendendo o seu sono — não prescrevendo às cegas.
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Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação médica individual.