Perguntas do consultório · 3 min de leitura

O que falar na primeira consulta de psiquiatria?

Por Henrique Hamilko · Médico · CRM-RJ 52-134517-6

Você não precisa chegar com um diagnóstico, organizar toda a sua história nem saber explicar exatamente o que sente. Podemos começar pelo motivo que fez você marcar a consulta agora.

Talvez o sono tenha mudado, o trabalho esteja difícil de sustentar ou as crises tenham ficado mais frequentes. Talvez você já faça tratamento e queira rever alguma coisa. Esses são bons pontos de partida.

Preciso contar tudo na primeira consulta?

Não é necessário conseguir falar de todos os assuntos de uma vez. Algumas coisas são difíceis de colocar em palavras, outras só ganham sentido depois que conversamos um pouco mais.

Se você ficar nervoso, esquecer algo ou se emocionar, podemos retomar. A consulta também tem perguntas para ajudar a organizar a conversa. Não é uma apresentação que você precisa preparar para dar certo.

O que costuma ser perguntado?

Quero entender quando as dificuldades começaram, como aparecem e o que mudaram na sua vida. Também conversamos sobre sono, alimentação, disposição, trabalho, estudos, relações e tratamentos anteriores.

Se você já usou medicamentos, ajuda saber quais foram, por quanto tempo e como se sentiu. Algum melhorou a ansiedade, mas incomodou na vida sexual? Outro deixou você muito sonolento? Essas informações são úteis mesmo quando você não lembra de todas as doses.

Álcool, maconha, estimulantes e outros produtos também podem entrar na conversa. Vale contar o uso real, porque isso ajuda a compreender os sintomas e a avaliar os cuidados necessários.

O que levar?

Se tiver, leve uma lista dos medicamentos e doses atuais, receitas anteriores, exames recentes e avaliações que queira discutir. Uma anotação com duas ou três dúvidas pode ajudar a não esquecer o que motivou a procura.

Você não precisa pedir exames nem fazer uma avaliação neuropsicológica por conta própria antes de marcar. Se houver indicação de investigar alguma coisa, conversamos sobre isso na consulta.

Também pode ser útil pensar em exemplos de uma semana comum: o que você está conseguindo fazer, o que ficou mais difícil e quais mudanças gostaria de perceber com o tratamento.

Vou sair com uma receita ou um diagnóstico fechado?

Isso depende da avaliação. Às vezes já é possível discutir uma hipótese e iniciar um cuidado. Em outras situações, precisamos acompanhar a evolução ou reunir mais informações.

Se houver indicação de medicação, quero que você entenda o motivo da escolha, o que pode esperar e o que deve observar. Você pode fazer perguntas e falar do que preocupa, inclusive se tiver receio de tomar um remédio.

No meu atendimento, a primeira consulta dura de 60 a 90 minutos e pode ser presencial em Botafogo ou online. Você pode ver os valores e como funciona a reavaliação inicial.

Fonte de orientação ao paciente: NIMH - Tips for Talking With a Health Care Provider About Your Mental Health. As informações sobre duração e funcionamento se referem ao atendimento de Henrique Hamilko.

Este texto é informativo. O que será abordado e a conduta dependem de cada situação.

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